
‘FOREVER’ IS A CHRONOLOGY IN HUMAN’S MIND
entelékheia: infinito
CONCEPTUALIZAÇÃO
O epicentro da experiência poética, admita-se com maior ou menor veemência, encontra-se no receptor – é ele, organismo dinâmico, que dá vida ao objecto que recebe. É ele que reconhece as suas propriedades excepcionais e o devota à contemplação.
A grande arte passa-se na mente. A grande arte possível é a que, na transição entre o produto da mente e o produto da execução material do que se tinha em mente, menos deturpa o sentido do primeiro. Por isso, geralmente, a espontaneidade é marca das mais valiosas obras, enquanto a artificialidade descreve as secundárias, quase insignificantes.
Subscrevendo estes pontos, encontramos os dois altares da idolatria do Round 3 de HOPENTOTEN: por um lado, o do receptor da obra, nunca assumindo função passiva, mas sempre activa, e, por outro, o do primado dos fenómenos mentais sobre… tudo. Não interessam a este Round manifestações materiais (o que não significa que elas não possam aparecer, como meio para espoletar os referidos fenómenos da mente) – essas ficarão para outras núpcias.
Interessam apenas a este Round as ideias, visões, impressões, enfim, a forma como HOPENTOTEN surge enquanto fenómeno na mente de quem contacta com ele, de quem se cruza com as suas actividades. Quem passa na rua e lê “HOPENTOTEN” num cartaz, pensando no possível significado de tão estranha palavra, já está a fazer parte deste Round, ainda que inconscientemente, ainda que sem dar o seu consentimento. Também quem lê estes parágrafos, ou vê somente a imagem de fundo.
Qualquer obra suscita fenómenos mentais, claro. A novidade aqui introduzida é que esses fenómenos não serão um subproduto, ou consequência, da obra – serão a obra em si mesma. É essa a subversão introduzida pelo Round 3: uma teia imaterial incompilável, virtualmente incomunicável e expansiva, que o torna num work in progress até que mais ninguém pense nele. Por isso pode durar décadas, séculos… ou só uns anos.
E nessa indefinição o Round 3 vai pulsando e HOPENTOTEN vivendo.
Le temps suppose une vue sur le temps. Il n’est donc pas comme un ruisseau, il n’est pas une substance fluente. […] Le temps n’est donc pas un processus réel, une succession effective que je me bornerais à enregistrer. Il naît de mon rapport avec les choses. Dans les choses mêmes, l’avenir et le passé sont dans une sorte de préexistence et de survivance éternelles; l’eau qui passera demain est en ce moment à sa source, l’eau qui vient de passer est maintenant un peu plus bas, dans la vallée. Ce qui est passé ou futur pour moi est présent dans le monde. On dit souvent que, dans les choses mêmes, l’avenir n’est pas encore, le passé n’est plus, et le présent, à la rigueur, n’est qu’une limite, de sorte que le temps s’effondre.
in “La Phénoménologie de la Perception” (1945), Maurice Merleau-Ponty
MODO DE EXECUÇÃO DO ROUND
Visto o Round 3 ser um Round meramente fenomenológico, será executado, por exclusividade, na mente de quem contactar com ele. No decurso dos próximos anos, será desenvolvida uma série de actividades espontâneas e de índole variada, como, por exemplo: performances, happenings, flash mobs, graffitis, exposições, revelação de cartazes, drinking games, cápsulas do tempo, et cetera ad infinitum. O céu é, verdadeiramente, o limite.
Uma vez mais, a materialidade dessas realizações é apenas um meio para atingir o fim – gerar fenómenos mentais em torno do universo de HOPENTOTEN. Tudo o que for dito e pensado sobre o mesmo, pelo autor ou por qualquer outra pessoa, fará parte do Round.
LANÇAMENTO
Em resultado das características únicas desta parcela, o Round 3 começou no instante em que HOPENTOTEN foi, pela primeira vez, concebido (no caso, pelo próprio autor) e estará em execução até ser pensado, por quem quer que seja, pela última vez.
Isto implica que o Round 3 permeie os demais rounds, que lhes seja, simultaneamente, precedente e subsequente; implica a possibilidade do Round ficar em standby durante séculos até ser, por manifesta sorte, reanimado; implica manter o estatuto de work in progress até já não ser possível que alguém contacte com ele.
Paradoxalmente, apenas terminará quando ninguém mais souber que existe ou alguma vez existiu uma obra intitulada “HOPENTOTEN”.
DISPONIBILIDADE
Dependente, acima de tudo, do acaso. O autor esforçar-se-á por levar experiências deste Round à mais alargada extensão geográfica possível, e haverá sempre uma divulgação digital, mas, em última instância, competirá à sorte e à oportunidade a orientação do destino do Round 3.
EXTENSÕES DO ROUND 3






(Mais serão divulgadas em momento oportuno.)
Imagem: Arquivo da NASA (2006); superfície da lua de Saturno Titã.